terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Primavera



Guardei  estas flores para seu retorno,
Guardei também meu coração.
Coloquei meus sonhos na gaveta,
Enterrei toda desilusão.

Coloquei meus sonhos na estante,
Fiz meus devaneios seguirem adiante,
Tirei as ervas do jardim,
Tudo se renovou em mim.

Guardei  até um pedaço da minh’alma,
Do bolso tirei a calma,
Minhas orações também eu guardei.
Tudo de mais belo em mim e que um dia já te dei.

Seu retorno é uma certeza,
Hoje eu vejo com clareza,
Esteve sempre escrito em mim,
Este inverno está chegando ao fim.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O Homem que eu era



Minhas namoradas são loucas,
Meus amigos sumiram,
meu espelho se quebrou,
meu sorriso se apagou,
minha memória rariou,
Meu sonho me assombrou.

Meus passos não vão longe,
meus abraços se enfraqueceram,
meus beijos pereceram,
meus perfumes se perderam,
Meus problemas cresceram
Meus caminhos reverteram.

Minhas amantes não me amam,
minhas amadas não me chamam,
minhas mulheres não reclamam,
minhas putas não se esparramam,
minhas esposas não se enganam,
Minhas virgens não se inflamam.

Minha vida não avança,
meu temor não me balança,
meu amor não traz esperança,
Meu tesão não me cansa,
Minha música não traz dança,
Meu espírito não descansa.

Meu romance se perdeu,
meu coração endureceu,
minha vontade nada rendeu,
já não sou este mais eu
O homem que eu era, morreu.

domingo, 7 de outubro de 2012

A terça parte



Só o que sobrou foi  um vestígio,
Uma imensa parte de um nada,
Um sorriso vazio, uma alegria apagada.

Nada do que eu fui sobrou.
Tudo do que eu sou se apagou
Agora ficou apenas a ilusão
Que a desilusão deixou.

A terça parte é o que eu tenho agora
Da minha alma, do meu tudo, muito embora,
Do tudo nada tenha sobrado,
Apenas o resto do nada tenha ficado

Não me interessa mais o que eu tenha construído,
Pois tudo caiu, tudo apagou,
Só o vazio ficou.
A terça parte de quem eu fui
É apenas uma terça parte de quem eu sou.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Despoetizado



Eu não queria ser o sol,
Nem tampouco como o seu raio iluminar.

Eu não preciso dos seus olhos
Para me guiar.

Não vejo qualquer coisa de atípico,
No sorriso, na canção, ou num coração.

Nada me faz enxergar diferente,
Quando fico diante do perfume que se sente
Das flores e dos amores.
Nem me compadeço diante das dores.

Sou indiferente ao beijo e à canção,
Não gosto nem desgosto da solidão.

Tanto faz um dia nublado, ou uma noite estrelada,
Quando vejo a lua cheia, não sinto nada.

Tanto faz o sorriso de uma criança,
Ou ter ou não ter esperança.

Só um sorriso não chega a ser o bastante
Para  eu cobrir toda a minha estante
Com livros e músicas de poesia,
Isso eu vejo todo dia.
Toda hora, a todo instante.
Também não quero ser amante.
E como já foi falado, tanto me faz ser amado.

Para ser despoetizado como eu,
Não é preciso ser asceta,
Não precisa pensar em amor,
Não precisa buscar a dor.
Só é preciso ser poeta.


domingo, 16 de setembro de 2012

Desassossego



Não vejo mais um horizonte,
Eu não tenho mais direção.
Eu não sei mais chorar,
Nem ao menos sei orar.
Não tenho mais coração.

Eu sinto falta do da intensa luz,
Que dos seus olhos se irradiam noite e dia,
Sinto falta do fogo do se coração,
Da alegria que você tinha quando me via.

Eu não tenho mais lágrimas.
Eu não tenho mais vontade.
Nem sei mais o que é a vida.
Pois a minha vida é só saudade.

Saudade do nós como éramos outrora,
Quando nosso amor estava na aurora.
Mas o crepúsculo em nós se abateu,
E o calor do amor, parece que se perdeu.

Meu amor, tenho saudade de quando você sorria,
E de quando brigava por eu demorar a ligar.
Meu Deus, como faz falta pra mim sua companhia.
Como faz falta o alimento,
Como faz falta o ar.

Eu não vejo mais o horizonte,
Ele pra mim não é mais infinito.
De mim, só restou algo abstrato.
Só restou da minha força, o grito.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Um poema para a minha dor



Se minhas lágrimas tivessem asas,
Eu deixaria elas voarem.
Se fosse voz que eu ouvisse
Quando da face elas rolarem,
Eu diria vão, por favor,
Vão atrás do meu amor
Cuja voz insiste em se calar,
Seu sorriso a me negar,
Seu amor a me recusar.

Se minha dor tivesse pernas,
Eu diria, saia do peito,
Perder você, não aceito,
Senão em mim a morte encontrará leito.

Se eu pudesse invadir seus sonhos,
Se eu pudesse ver seu tormento.
Se eu pudesse dar minha vida,
Acabaria com o seu sofrimento.

Juras de amor eterno,
Pedidos de “não me abandone”,
Sonhos que foram partidos,
O desalento é o meu nome
Perdi o chão, perdi o norte,
E eu que pensei que eu era forte.

Revelei-me um  menino chorão,
Atormentado, que desilusão.
Com feridas abertas na alma,
Com um fogo no coração.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Apenas a mais importante

Pode ser menor que o céu
E talvez, como o sol, não brilhe tanto.
Talvez seus sonhos não sejam tão grandes
Mas seu sorriso me revela todo o seu encanto.

Talvez seus passos sejam ainda curtos,
Mas levam adiante, trazem esperança.
Seu abraço reconforta,
com seu beijo, minha alma dança.

Meus sonhos a atingiram depois de tanto procurar
Procurei alí, aqui, acolá.
Procurei dentro da minha mão,
em meu quarto,
em meu coração.

Mas você estava tão perto,
que minhas vistas não podiam alcansar.
Tão pequena a nossa distância,
Mas tão inatingível, quanto a imensidão do mar.

Agora em seus braços posso descansar,
em seu colo, sigo adiante.
Pode parecer simples para os demais,
Para mim, você é a mais importante.