quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O Homem que eu era



Minhas namoradas são loucas,
Meus amigos sumiram,
meu espelho se quebrou,
meu sorriso se apagou,
minha memória rariou,
Meu sonho me assombrou.

Meus passos não vão longe,
meus abraços se enfraqueceram,
meus beijos pereceram,
meus perfumes se perderam,
Meus problemas cresceram
Meus caminhos reverteram.

Minhas amantes não me amam,
minhas amadas não me chamam,
minhas mulheres não reclamam,
minhas putas não se esparramam,
minhas esposas não se enganam,
Minhas virgens não se inflamam.

Minha vida não avança,
meu temor não me balança,
meu amor não traz esperança,
Meu tesão não me cansa,
Minha música não traz dança,
Meu espírito não descansa.

Meu romance se perdeu,
meu coração endureceu,
minha vontade nada rendeu,
já não sou este mais eu
O homem que eu era, morreu.

domingo, 7 de outubro de 2012

A terça parte



Só o que sobrou foi  um vestígio,
Uma imensa parte de um nada,
Um sorriso vazio, uma alegria apagada.

Nada do que eu fui sobrou.
Tudo do que eu sou se apagou
Agora ficou apenas a ilusão
Que a desilusão deixou.

A terça parte é o que eu tenho agora
Da minha alma, do meu tudo, muito embora,
Do tudo nada tenha sobrado,
Apenas o resto do nada tenha ficado

Não me interessa mais o que eu tenha construído,
Pois tudo caiu, tudo apagou,
Só o vazio ficou.
A terça parte de quem eu fui
É apenas uma terça parte de quem eu sou.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Despoetizado



Eu não queria ser o sol,
Nem tampouco como o seu raio iluminar.

Eu não preciso dos seus olhos
Para me guiar.

Não vejo qualquer coisa de atípico,
No sorriso, na canção, ou num coração.

Nada me faz enxergar diferente,
Quando fico diante do perfume que se sente
Das flores e dos amores.
Nem me compadeço diante das dores.

Sou indiferente ao beijo e à canção,
Não gosto nem desgosto da solidão.

Tanto faz um dia nublado, ou uma noite estrelada,
Quando vejo a lua cheia, não sinto nada.

Tanto faz o sorriso de uma criança,
Ou ter ou não ter esperança.

Só um sorriso não chega a ser o bastante
Para  eu cobrir toda a minha estante
Com livros e músicas de poesia,
Isso eu vejo todo dia.
Toda hora, a todo instante.
Também não quero ser amante.
E como já foi falado, tanto me faz ser amado.

Para ser despoetizado como eu,
Não é preciso ser asceta,
Não precisa pensar em amor,
Não precisa buscar a dor.
Só é preciso ser poeta.