domingo, 25 de julho de 2010

O poeta

Um só caminho,


Uma só estrada.

Vários sentimentos,

Infinitas escadas.



No corrimão da vida escorreguei.

Desci ao fundo, onde cheguei?

Ao contrário de flores,

Teremos dores,

Perderemos amores,

Criaremos temores

E seremos sofredores.



Sou o santo do meu céu

E demônio do meu inferno.

Sou senhor do meu escravo

E escravo de mim mesmo.

Sou autor do meu pesadelo

E protagonista do meu desespero.

Sou senhor da minha sorte,

O assassino da minha morte.



Quando mato, morro.

Se estou assalto, peço socorro.

Se vivermos juntos até que a morte nos separe,

Então morreremos juntos,

Para que a vida nos ampare.



Sou anjo sem asas,

Poeta sem palavras

E sultão sem escravas.



Só eu sei se sou…

Só serei se souber,

Sou caminho empoeirado,

Don Juan sem mulher.



Já que o amor que me envolve,

Me separa da minha amada.

Sou poeta e Deus sabe,

Sou um homem, sendo nada.

Flor do serrado

Olha, lá está ela!


Sorri com tamanha simplicidade.

Beleza pura, sem maldade.

Esplendor sem falsidade.



Quando a vi, a paixão me tocou…

Não se pode controlar tamanho amor,

Fiquei escravo, não sei mais quem sou.

Sua existência tirou minha dor.



Deus, como é belo o seu sorriso!

Misterioso é o seu olhar.

Reluz ao sol a sua tez de seda

Sua presença é maior que o mar.



Sua voz nunca por mim foi ouvida,

Apenas a sua imagem me alimenta.

Nunca toquei sua pele macia,

Apenas seu sorriso me sustenta.



Será que um dia será minha?

Será que um dia irá me amar?

Será que um dia terei o seu beijo?

Será que por mim se apaixonará?



Bela flor de impar presença

Cujo amor pertence a ninguém.

Me contento apenas com o seu olhar

Pode ser minha, ou de ninguém.

Escuridão

Julgamentos é o que todos fazem


Quando desconhecem um espírito sombrio

Incapazes de reconhecer na tristeza,

Uma luz que não acende, um espírito vazio.



Mesmo no fundo da alma, escondido,

Um coração explode de dor,

Uma vida inteira sem amor

Uma ilusão quase incolor.



Posso agarrar com minhas mãos sem calos

A fria aparência da normalidade,

A ânsia da fuga, ah que vontade!

A terrível sina da genialidade.



Julgamento é o que fazem

Quando desconhecem o espírito infeliz.

Pois sinto na alma o trespasse da adaga,

Esse caminho não fui eu quem fiz.

Desapontamento

Não existe mais caminho


Os pés não encontram mais direção.

A vida não tem mais beleza.

Já não me sustento mais com pão.

Já não existem mais presságios,

Não há mais prazer no amor.

As flores não mais rescindem,

As feridas já não sentem dor.

Não me alimento mais com tanta vontade,

A água já não sacia a minha sede.

Nem me alegro mais com a bondade,

Meu retrato não está mais na parede.

Mulheres, dinheiro, não quero mais.

Tudo é sem graça na minha vida

Cores, imagens, carnavais,

Nem mesmo na morte tenho saída.

Nem a liberdade me atrai como outrora,

Fazer sempre o que tenho vontade,

Nada me causará mais alegria

Se você nunca me amar de verdade.